Por Brunno Marchetti e Mariana Figueiredo
Com mais espaço a cada edição, as fotos se firmam como uma das mais contemporâneas formas de expressão
Em seus mais de 150 anos de existência, ela se consolidou como uma das principais formas de expressão no século XXI. Algumas da chamada “fine art” ( aquelas feitas unicamente pelo seu valor estético e sem qualquer utilidade prática) chegam a ser comercializadas a cifras na casa dos milhares de reais- fato que comprova o reconhecimento da fotografia e sua valorização como arte.
Na 29° Bienal de São Paulo, que traz a discussão entre a arte e a política como tema central, esta linguagem não poderia deixar de ser apresentada. As fotos estão presentes por todos os lados da Bienal. Em muros brancos, caixas de projeção ou em salas abertas, elas estão em todos os andares e se firmam em sua função documental.
Agnaldo Farias, um dos curadores ao lado de Moacir dos Anjos e dos curadores internacionais convidados, explica que outras formas de expressões clássicas como a pintura e a escultura abriram espaço para a fotografia. “A pintura hoje tem que conviver com uma série de outras linguagens. Não faria nenhum sentido ficar preservando um nicho, como se não houvesse outras coisas acontecendo”. Mas discorda que haja dominância de alguma linguagem sobre outras. “Esse é um aspecto característico da arte contemporânea, assim como não há exatamente estilo, ou uma tendência, também não há a hegemonia de uma linguagem sobre a outra”.
Alguns trabalhos- Com 130 trabalhos apresentados nesta edição, fica bem difícil conseguir dar a mesma atenção a todos eles, mas para quem gosta de fotografia duas artistas africanas são imperdíveis. Apesar de um pouco ofuscadas por obras que atrairam a atenção da grande mídia como os quadros de Gil Vicente ou a instalação A Alma Nunca Pensa Sem Imagem, do argentino Roberto Jacoby, que se encontram no mesmo andar, os trabalho de Otobong Nkanga e Zanele Muholi são um achado para os admiradores da linguagem.
O ensaio da sul-africana Zanele Muholi, Faces and Phases , traz a discussão da sexualidade de mulheres homossexuais, cuja aparência remete ao androginismo. Com imagens em branco e preto, celebra as diferenças por meio de rostos que protagonizam a resistência.
O trabalho teve origem em sua atuação no Forum for the Empowerment of Women, uma organização de mulheres homossexuais na província de Gauteng, em uma espécie de ativismo visual que de maneira nobre da voz para mulheres vitimas de preconceito, agressividade, estupro e até assassinato na sociedade contemporânea sul-africana.
Já a nigeriana Otobong Nkanga, em O fim das Utopias, retrata um conjunto habitacional deixado inacabado para as famílias que nele residem. Kkanga mostra justamente as intervenções coloridas em meio a confusão das instalações precárias dos residentes que, para sobreviver, adicionaram recursos básicos como caixas d´água e cabos de energia.
Estes são apenas dois trabalhos de fotografia da 29° Bienal de Artes. A grande quantidade de artistas expondo por meio desta linguagem, que esta cada vez mais atrelada às artes visuais, reforça a expressividade dessa técnica não apenas como registro, mas como um forte elemento artístico e de inquestionável importância para a arte contemporânea. A 29° Bienal acontece no Pavilhão do Ibirapuera até dia 12 de dezembro.






















