Por Aquilo Mais Isso
O processo de higienização que se desenvolveu durante a gestão Kassab criou uma cidade diferente, mais limpa (o que não é necessariamente bom), como se pretendia. A retirada de outdoors revelou uma São Paulo desconhecida até para seus habitantes mais antigos.
Uma outra medida, esta bastante questionável, foi a proibição dos vendedores ambulantes e do comércio de rua. Os defensores da última apontam que esta reduziu o número de furtos e outras ocorrências em algumas regiões, como no centro da cidade. Por outro lado, também impossibilitou vários trabalhadores honestos de exercerem suas funções.
O absurdo, porém, reside em uma distorção desta última medida, como informou o site UOL na segunda-feira (22) na matéria “Prefeitura expulsa artistas de rua da av. Paulista; para jurista, proibição é ‘ato nazista’“. A reportagem conta como os artistas de rua estão sendo impedidos de realizar suas performances e outras expressões, caracterizadas (pela PM) como atividades comerciais e uso indevido do espaço.
Vale lembrar que a rua é espaço público, distorcer leis e critérios desta maneira e calar a voz deste público em seu próprio espaço, além de revoltante, nos faz lembrar o que o Brasil nos mostrou de pior. Entre essas demonstrações, recordamos das políticas higienistas adotadas no Rio de Janeiro do final do séc XIX (e que anida hoje vemos suas consequências e aplicações), o Estado Novo de Getúlio Vargas, e por último, a Ditadura Militar, que ainda tem algumas de suas feridas escancaradas.





